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sábado, 21 de junho de 2014

RESENHA-RESUMO DO ROMANCE "MADAME BOVARY" - MARCO DO REALISMO -, DO FRANCÊS GUSTAVE FLAUBERT.

Para quem ainda não leu "MADAME BOVARY", fiz uma resenha-resumo das 336 páginas dessa brilhante narrativa, com foco apenas na trajetória da personagem central, Emma Bovary. Obviamente, a leitura do livro é infinitamente indispensável.

RESENHA-RESUMO:

"MADAME BOVARY". GUSTAVE FLAUBERT (1821-1880). TRADUÇÃO: ILANA HEINEBERG. PORTO ALEGRE, RS: L&PM, 2013, 336 p. - COLEÇÃO L&PM POCKET: v. 328. ISBN 978-85-254-1275-1. CAPA DO LIVRO: IVAN PINHEIRO MACHADO SOBRE TELA "LES PARISIENNES (MOREAU-VAUTHIER, 1862), LE PETIT PALAIS, PARIS. 

Na França de meados do século XIX, Emma Bovary, uma camponesa casta - com alma de burguesa -, sonha com o homem perfeito, porém, não quer apenas o amor, quer também a volúpia e a paixão desenfreada. Sonha também com uma vida de luxos. Casa-se com o agente de saúde Charles Bovary, recém enviuvado, um homem bom e apaixonado por ela. Os dois vão morar em Tostes. Depois do casamento, a pobre Emma descobre que Charles é um homem insosso demais para as brasas quentes de sua intrínseca fogueira d'alma. "O que Fiz de minha vida?!" - pensa a pobre mulher. A partir daí, Emma resigna-se em sua nova realidade por um tempo. Em seguida, descobre-se grávida, e, doente na essência, Charles considera por bem mudarem-se - com a ajuda do farmacêutico Homais -  para Yonville, uma cidade pacata, no intuito de restabelecer a vivacidade da esposa. Em Yonville, Emma tem contato com as delícias da corte; conhece os encantos de um visconde. Mas nada de palpável acontece entre os dois; tudo permanece no platonismo - apenas por parte dela. De repente, surge em sua vida, Léon, um jovem de 20 anos, belo, de olhos azuis, funcionário do cartório de Yonville. O rapaz cai de amores por Emma, porém, tímido, inexperiente e jovem demais, vê-se incapaz de aplacar o coração da voluptuosa mulher. Léon, então, com o coração partido, muda-se para Paris e, lá, entrega-se aos estudos de Direito e à vida boêmia. Emma conhece Rodolfhe, um bom-vivam de Yonville, homem forte, obstinado, rico e de alma vagabunda. Emma, enfim, cede aos encantos de outro homem. Depois de muitos encontros ardentes, Rodolfhe chega à conclusão de que Emma é como qualquer uma das muitas mulheres que já haviam passado por sua vida: amantes que carregam em sua essência a paixão medíocre. Rodolfhe, forçado por Emma, concorda em fugir com ela para algum lugar remoto do mundo. No dia da fuga, ele a abandona. Ela cai em desespero; entrega-se a uma depressão profunda. Charles cuida dela com muita devoção. Emma, enfim, se restabelece; entrega sua alma à benevolência cristã; faz caridades aos pobres e cuida da casa e do marido com muito zelo. Nesta fase de sua vida, Emma desperta, sem consciência do fato, os primeiros arroubos de desejos no jovem e imberbe Justin, parente do farmacêutico Homais. Em um dado momento, para animar a esposa, Charles a leva para um concerto musical de um famoso cantor, em Rouen. Durante o concerto, reencontram Léon, agora mais espirituoso e mais experiente. Charles volta para Yonville sozinho e comete a insensatez de deixar a esposa em Rouen na companhia do belo rapaz. Léon, enfim, suplanta a timidez e consegue ser mais efusivo no trato com Emma. Ela aceita encontrar-se com ele na catedral da cidade. Depois de um tempo, os dois entram em um coche, que, a mando de Léon, percorre todos os pontos de Rouen repetidas vezes, enquanto, à cortinas fechadas, em pleno meio-dia, os dois se amam enlouquecidamente,.a ponto de fazer pender o coche de um lado para o outro com os movimentos de coito do casal. Emma, agora, passa a vagabundear em suas entranhas. Depois de um tórrido romance com o jovem rapaz, Emma se vê em grandes apuros por conta de dívidas contraídas à revelia do marido. Seus credores passam a pressioná-la. Seus bens são embargados. Desesperada, a mulher recorre a Léon e a Rodolfhe, que ignoram friamente a sua tormenta. Transtornada e com muito medo de seu destino, Emma convence Justin a abrir a porta do laboratório particular de Homais. Sem que o rapaz tenha tempo de agir, a desgraçada mulher engole um punhado de veneno - arsênico. A par das dívidas e muito confuso com a situação, Charles entra em desespero com o envenenamento da esposa, sem nada entender sobre o fato. Emma, depois de muito sofrimento, enfim, morre. A tragédia abala a vida de Charles. Ele se vê sozinho com a filha, a pequena Berthe. Um tempo depois, o pobre homem descobre as traições de sua amada Emma, através de cartas que ela trocava com os amantes. Inacreditavelmente, a descoberta não o envenena. Muito pelo contrário, charles sente-se ainda mais tomado de paixão ao saber o quanto a mulher, bela e imponente, era desejada por outros homens, e que se houvesse algum culpado, não seria ela. Mais adiante, Charles, muito desgostoso, morre subitamente. A filha, Berthe, é encaminhada aos cuidados da avó - a Senhora Bovary, mãe de Charles -, pois o pai de Emma, que ficara paralítico, não podia cuidar da pequena. Um ano depois, a Senhora Bovary também morre, e Berthe passa para os cuidados de uma tia e, essa, muito pobre, põe a menina para trabalhar em uma fábrica de fiação de tecidos. Uma verdadeira tragédia na vida dos Bovary's! Quanto a Léon, ele se casa com uma burguesa de Rouen; e Rodolfhe continua com sua vida de bom-vivam. Yonville volta a ser a mesma cidadezinha sem graça de antes da chegada de MADAME BOVARY. FIM.


Éd Brambilla. RESENHA-RESUMO. MADAME BOVARY, DE GUSTAVE FLAUBERT. 21/06/2014.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A cidade sitiada


1949
A cidade sitiada


Lucrécia Neves vive num subúrbio em crescimento, São Geraldo, na década de 1920. O desejo de ser rica e de sair dos limites da cidade a fazem apostar no casamento com Mateus, que a leva para morar na cidade grande. No entanto, a nostalgia do subúrbio a invade de tal forma que ela retorna a São Geraldo, agora tão diferente daquela em que vivera. Viúva, ela se vê diante da possibilidade de iniciar uma relação amorosa mais verdadeira com o doutor Lucas, fato que não se concretiza. A carta da mãe chamando-a para mudar-se para a fazenda dá-lhe uma nova chance de jogar-se numa aventura amorosa e na busca de si mesma.
“Lucrécia Neves não seria bela jamais. Tinha porém um excedente de beleza que não existia nas pessoas bonitas. Era basta a cabeleira onde pousava o chapéu fantástico; e tantos sinais negros espalhados na luz da pele davam-lhe um tom externo a ser tocado pelos dedos. Somente as sobrancelhas retas enobreciam o rosto, onde alguma coisa vulgar existia como sinal apenas sensível do futuro de sua alma estreita e profunda. Toda a sua natureza parecia não se ter revelado: era hábito seu inclinar-se falando às pessoas, de olhos entrefechados – parecia então, como o próprio subúrbio, animada por um acontecimento que não se desencadeava. A cara era inexpressiva a menos que um pensamento a fizesse hesitar.”

O lustre

1946
O lustre


Em O lustre, trafega-se, a maior parte do tempo, pelo mundo interior da protagonista, Virgínia, desde sua infância em um remoto vilarejo do interior até a vida adulta numa cidade grande e solitária. Clarice não permite ao leitor ter completo acesso ao que se passa do lado de fora — a não ser na crua e, talvez, surpreendente cena final. No universo subjetivo da escritora, a única clareza está nos sentimentos. Virgínia ama seu irmão, Daniel, sua alma gêmea, seu senhor. Virgínia ama seu amante, Vicente, a quem conhece tão pouco... A história é contada como num jogo de luzes e sombras, cada parágrafo permitindo apenas antever, de relance, a força sufocante de tanto amor.
“Como gostava de seu quarto; sentia seu cheiro de túnel quando se aproximava e estava bem, bem dentro dele enquanto entrava. Notava que antes de sair esquecera de abrir as janelas e um cheiro dela própria exalava-se de cada canto – como se voltando da rua se encontrasse em casa esperando. Abria as janelas e um ar frio de céu e de água fresca rangia límpido pelas coisas renovando-as. Hesitava um pouco tentando ligar-se às suas coisas, ver um sinal nos objetos, mas sentia logo de início que seria inútil, que ela estava liberta e de contornos calmos. Debruçava-se um instante à janela, o rosto oferecido à noite com ânsia e delícia, os olhos entrecerrados: o mundo noturno, frio, perfumado e tranqüilo era feito de suas sensações fracas e desorganizadas.”

Perto do coração selvagem













1943
Perto do coração selvagem


A vida de Joana é contada desde a infância até a idade adulta através de uma fusão temporal entre o presente e o passado. A infância junto ao pai, a mudança para a casa da tia, a ida para o internato, a descoberta da puberdade, o professor ensinando-lhe a viver, o casamento com Otávio. Todos estes fatos passam pela narrativa, mas o que fica em primeiro plano é a geografia interior de Joana. Ela parece estar sempre em busca de uma revelação. Inquieta, analisa instante por instante, entrega-se àquilo que não compreende, sem receio de romper com tudo o que aprendeu e inaugurar-se numa nova vida. Ela se faz muitas perguntas, mas nunca encontra a resposta.
“Sobretudo um dia virá em que todo meu movimento será criação, nascimento, eu romperei todos os nãos que existem dentro de mim, provarei a mim mesma que nada há a temer, que tudo o que eu for será sempre onde haja uma mulher com meu princípio, erguerei dentro de mim o que sou um dia, a um gesto meu minhas vagas se levantarão poderosas, água pura submergindo a dúvida, a consciência, eu serei forte como a alma de um animal e quando eu falar serão palavras não pensadas e lentas, não levemente sentidas, não cheias de vontade de humanidade, não o passado corroendo o futuro! O que eu disser soará fatal e inteiro!”

terça-feira, 14 de maio de 2013

Livro: CLARICE NA CABECEIRA - Crônicas


Livro: CLARICE NA CABECEIRA - Crônicas
Autor: Clarice Lispector 
Tradução: Teresa Montero (Org.)
ISBN: 978-85-325-2606-9
Páginas: 176
Formato : 14x21
Preço : R$ 24,00 
Mais informações no site oficial da autora: www.claricelispector.com.br

Reunião de vinte textos escolhidos por convidados afeitos à obra de Clarice Lispector, Clarice na cabeceira apresenta uma leitura selecionada de narrativas curtas publicadas entre 1962 e 1973, na revista Senhor e no Jornal do Brasil, e posteriormente agrupadas nos livros A descoberta do mundo e Para não esquecer. Abordando temas tão diversos quanto as memórias da infância, a vida, a morte, o amor, o ato de escrever, o silêncio, a maternidade e a indignação, as crônicas ganham sabor especial quando apresentadas por amigos e admiradores de Clarice, que compartilham o impacto da escritora e de sua obra em suas vidas, como Eduardo Portella, Ferreira Gullar, Marília Pêra, Maria Bonomi e Naum Alves de Souza, entre outros. Com organização de Teresa Montero, autora de Eu sou uma pergunta – Uma biografia de Clarice Lispector, publicada pela Rocco, Clarice na cabeceira é a oportunidade de conhecer “perfeitos momentos da literatura brasileira moderna, perfeitos momentos da vida nas palavras, perfeitos momentos”, como descreve Caetano Veloso ao falar sobre o sentimento que a leitura de Clarice provoca.

Assim, cada crônica é uma introdução não só ao universo literário de Clarice Lispector, mas à mulher que, em suas próprias palavras, nasceu para amar os outros, para escrever e para criar os filhos, tema da extraordinária “As três experiências”. O texto é apresentado por Lygia Fagundes Telles, que oferece ao leitor uma belíssima e emocionante homenagem à Clarice, em uma crônica na qual relembra a amizade das duas e a experiência vivida na noite em que a escritora faleceu. Já em “Morte de uma baleia”, escolhida por Silviano Santiago, duas baleias encalhadas, uma no Leme e outra no Leblon, praias da Zona Sul carioca, são o mote para que Clarice discuta a mortalidade – a sua e a dos outros.

Temas mais leves, mas igualmente pertinentes à reflexão sobre o estar no mundo desde a mais tenra idade também estão presentes, como em “Banhos de mar”, opção de Aparecida Maria Nunes na qual uma extasiada Clarice relembra as idas à praia antes do sol nascer junto com o pai, na Olinda de sua infância; e em “Cem anos de perdão”, selecionada por Naum Alves de Souza, em que a escritora sentencia que ladrões de rosas e pitangas - como a menina que ela foi em Recife – têm cem anos de perdão.

Roteirista e mestre em Literatura Brasileira com uma dissertação sobre Clarice, Lícia Manzo, autora publicada pela Rocco, relembra como a descoberta da obra da escritora a fez sentir acolhida em sua inadequação adolescente. Sua escolha, apropriadamente, é “Se eu fosse eu”, um fragmento sobre a árdua legitimação de ser quem se é. O autoconhecimento está presente também em “As caridades odiosas”, apresentada por Rosiska Darcy de Oliveira, uma brutal análise dos sentimentos humanos, do amor à compaixão, passando pela vergonha e pela raiva. O mesmo mote, abordado com mais humor, perpassa “Mal-estar de um anjo”, selecionada por Joaquim Ferreira dos Santos, quando um simples ato de generosidade se transforma em arrependimento da caridade praticada.

A paixão pelos filhos Pedro e Paulo, grandes amores da vida de Clarice, aparecem em “Come, meu filho”, que tem apresentação de Bianca Romaneda, e “O caso da caneta de ouro”, escolha de Ferreira Gullar na qual a reação de cada um dos meninos diante da possibilidade de herdar uma caneta de ouro da mãe permite à autora conhecer melhor suas crianças. Há ainda “Lição de filho”, sugerida pela escritora Thalita Rebouças, comovente crônica sobre como o filho adolescente ajuda Clarice a lidar com suas emoções.

A Editora Rocco doou uma coleção das obras completas de Clarice Lispector para cada uma das bibliotecas indicadas pelos leitores convidados.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

O PRÍNCIPE (Nicolau Maquiavel)

Para Maquiavel, a política é a arte de conquistar e manter o poder, que se identifica com uma ordem que não deriva do respeito aos princípios éticos e religiosos, mas apenas da capacidade de um indivíduo de mantê-lo - pelo amor ou pelo medo. Muitas vezes, historicamente, o pensamento de Maquiavel foi mal interpretado e ele sofreu muitas críticas. O próprio adjetivo "maquiavélico", criado a partir de seu nome, significa "astucioso", "traiçoeiro". Apesar da malsinação de seu nome, pesquisas modernas ajudaram a interpretar Maquiavel de maneira mais razoável. Assim, a má fama de "pressagiador implacável", que por muito tempo o acompanhou, começou a desaparecer. Depois de mais de quatro séculos, a obra continua interessante e alvo de discussões acirradas, pois trata de questões eternas a respeito das relações de poder. Embora sua ética, como se apresenta, seja a de seus contemporâneos, ainda assim não pode ser considerada ultrapassada, uma vez que muitos continuam se apoiando  mais nas forças materiais do que morais. O livro inspirou a famosa expressão "os fins justificam os meios", ao sugerir o que deve ser feito para se manter no poder. Como na administração e na política não há caminhos inteiramente seguros, a prudência consiste  em escolher os menos perigosos. O Príncipe é muito mais do que uma obra de interesse histórico: é uma verdade inquestionável que trata de princípios que ainda norteiam as relações de países e governantes, podendo ainda se estender ás relações existentes no mundo dos negócios.

ALÉM DO BEM E DO MAL ( Friedrich Nietzsche)


Nietzsche considerava Além do bem e do mal seu livro mais importante e abrangente. Quase todos os temas de sua filosofia madura estão presentes: o perspectivismo, a vontade de poder e suas ramificações, a crítica da moralidade, a psicologia da religião e a definição de um tipo de homem nobre. Há também aforismos sobre arte e sexualidade, caracterizações de povos e países diversos, e muitas opiniões sobre personalidades históricas e artísticas. Tudo num estilo de grande beleza e precisão, a que não faltam humor, poesia e dramaticidade. O leitor compreenderá, enfim, por que as principais correntes do pensamento do século XX - como o existencialismo, a filosofia analítica e a psicanálise - reconheceram em Nietzsche um precursor.

quinta-feira, 29 de março de 2012

LAÇOS DE FAMÍLIA, A VIA CRUCIS DO CORPO, ÁGUA VIVA e A HORA DA ESTRELA








A escrita de Clarice Lispector situa-se numa confluência de paradigmas, que a narradora entretece, destece e põe em tensão: a cena do Realismo-Naturalismo e a do Romantismo-Simbolismo. Isto significa que em seus textos encontram-se veios recessivos que, transformados por sua perspectiva estilística pessoal, criam um entrelaçamento significativo entre a realidade e a "realidade adivinhada". Neste sentido, ela produz uma poética que lhe é própria, e nela como que desenha uma arquitetura textual sui generis, na qual três obras se destacam e se enlaçam (reclamando-se e afastando-se) com rara sabedoria, por permitirem perceber a tensão no traçado do conjunto: LAÇOS DE FAMÍLIA, que contracena com A VIA CRUCIS DO CORPO, mais próximo de uma lição realista- naturalista; ÁGUA VIVA, denso poema em prosa, na qual tempo, enredo, personagens se desagregam e A HORA DA ESTRELA, espécie de ponto ótimo de articulação, mas não de síntese, das tendências referidas.

Textos em mutação, as narrativas de Lispector sublinham a precariedade e o normandismo da consciência e da existência, entre as aleluias e as agonias de ser.


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MENTES ANSIOSAS - MEDO E ANSIEDADE ALÉM DOS LIMITES






Medo de altura, de animais, de lugares fechados, de dentista, de dirigir, de falar em público, de sair de casa. E a ansiedade? Que aperta o peito, dá um "nó" na garganta, acelera o coração, provoca o pânico...

Ansiedade e medo todo mundo tem, fazem parte do nosso existir. O problema é quando esses sentimentos se tornam excessivos e nos fazem adoecer, transtornando a nossa vida.

Neste livro, a Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva faz uso de sua experiência clínica para explicar o que acontece quando a ansiedade e o medo extrapolam os limites da normalidade e como podemos superar os transtornos que eles provocam.

Este livro é uma versão revista e ampliada de MENTES COM MEDO - DA COMPREENSÃO À SUPERAÇÃO.

Segundo estudos internacionais, 25% da população sofrem ou sofrerão de transtornos de ansiedade em algum momento de suas vidas. Isso significa que, num grupo de quatro pessoas, é bem provável que uma sofra de trastorno do pânico, timidez excesiva, estresse pós-traumático, ansiedade generalizada, fobias ou TOC. Todos esses problemas estão relacionados a níveis patológicos de angústia e preocupação.

No entanto, a ansiedade e seu primo-irmão, o medo, nem sempre são negativos. Pelo contrário, eles tem uma função importante, nos protegendo de situações perigosas e contribuindo para um melhor desempenho em tarefas difíceis. Mas, às vezes, não percebemos quando essas sensações são inevitáveis e quando passam a controlar nossas vidas.

MENTES ANSIOSAS oferece explicações claras e ferramentas eficazes para compreendermos as origens da ansiedade e do medo e, assim, enfrentarmos o que pode vir a ser o nosso maior inimigo: as preocupações incessantes que teimam em assolar nossa mente.


Ana Beatriz Barbosa Silva é médica graduada pela UFRJ com pós-graduação em psiquiatria pela UFRJ e referência nacional no tratamento de transtornos mentais. Professora honoris causa pela UniFMU (SP) e presidente da AEDDA - Associação dos Estudos do Distúrbio do Déficit de Atenção (SP) -. é também diretora das clínicas Medicina do comportamento no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde atende pacientes e supervisiona os profissionais da sua equipe (médicos, psicólogos e terapeutas). Nascida no Rio de Janeiro, ela realiza palestras, conferências e consultorias em todo o país sobre variados temas do comportamento humano. Também é autora dos livros MENTES PERIGOSAS - O PSICOPATA MORA AO LADO, BULLING - MENTES PERIGOSAS NAS ESCOLAS, MENTES INQUIETAS - TDAH:DESATENÇÃO, HIPERATIVIDADE E IMPULSIVIDADE E MENTES E MANIAS - TOC: TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO, Todos publicados pelo selo Fontanar, da Objetiva.

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O PEREGRINO



Em versão ilustrada, a lendária narrativa de JOHN BUNYAN adquire novos contornos graças à edição revisada do texto, inspirando o leitor a rever a própria trajetória de vida enquanto acompanha a épica saga da personagem cristão à Cidade Celestial.


Na segunda metade do século XVII, o cenário religioso da Europa era conturbado. Apesar do domínio geográfico e político, o cristianismo se estilhaçava em cisões. Até mesmo o protestantismo, que resistira à Contra-reforma e a ataques como o da malfadada Noite de São Bartolomeu - massacre que ceifou a vida de mais de setenta mil huguenotes franceses um século antes - , enfrentava o problema d divisão, muitas vezes promovida por pessoas ou grupos motivados pelo desejo autêntico de servir a Deus de maneira abnegada, não importando os obstáculos no caminho.

Tal itinerário de santidade e pureza transformou-se, para muitos, em ideal de vida piedosa. A alegoria mais bem elaborada dessa busca se encontra nas páginas de O PEREGRINO, considerado o primeiro clássico de ficção cristã de todos os tempos.

Dissidente do anglicanismo, John Bunyan traduziu de maneira singular o conflito de pessoas que, como ele, empreendiam uma jornada espiritual tão árdua quanto longa, e ainda assim gratificante.

No entanto, considerar a caminhada de Cristão unicamente uma metáfora da vida devocional é um equívoco. Os ambientes, as situações e os demais personagens também fazem alusões recorrentes - ainda que discretas, ou mesmo escamoteadas - ás mazelas da sociedade, à corrupção das cortes e à institucionalização que tomou conta da Igreja, roubando seu caráter mais preciso: o de agência de promoção da espiritualidade e da comunhão com Deus.

O próprio clero desfila sutilmente em passagens como a da Feira das Vaidades; Malícia e Adulação cabem perfeitamente como símbolos das artimanhas do poder. Como que antevendo reações a sua obra, o autor a apresenta em forma de apologia poética, um recurso igualmente utilizado para preparar o leitor para as inovações que introduz á narrativa.

Bunyan também ilustra com grande habilidade as fragilidades da estrutura humana. Cristão, por vezes, é vacilante ou confuso. Não consegue evitar as agruras do castelo da Dúvida ou do pântano do Desânimo. No entanto, sua obstinação por alcançar a Cidade Celestial é a força que o leva mais além. Tão empolgante quanto sua motivação é saber que o destino do peregrino é glorioso, não importa a duração e a rudeza da trilha que toma.


JOHN BUNYAN nasceu em 1628, na Inglaterra. Depois de passar por vários conflitos pessoais e familiares durante a juventude, desvinculou-se da Igreja Anglicana e tornou-se pastor de um grupo independente. Casou-se duas vezes e teve seis filhos: quatro com Mary e dois com Elizabeth. Por sua rebelião contra a igreja oficial, foi preso duas vezes. Durante o segundo período de cárcere deu início ao texto de O PEREGRINO, cuja primeira parte foi lançada em 1678. John Bunyan imaginou uma história que fortalecesse a si mesmo, a família e a congregação. A segunda parte, publicada separadamente pelo Mundo Cristão sob o título A PEREGRINA, foi lançada em 1684.

O PEREGRINO adquiriu rapidamente a fama de maior alegoria já escrita e cuja influência perpassa séculos.


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A DESCOBERTA DO MUNDO




Uma escritora decidida a desvendar as profundezas da alma. Essa é Clarice Lispector, que escolheu a literatura como bússola em sua busca pela essência humana. Sua tentativa de transcender o cotidiano revela-se em personagens na iminência de um milagre, uma explosão ou uma singela descoberta. Todos suscetíveis aos acontecimentos do dia a dia. Vidas que se perdem e se encontram em labirintos formados por uma linguagem única, meticulosamente estruturada. E é por essa linguagem que Clarice Lispector constrói uma obra de caráter tão profundo quanto universal.


As crônicas de Clarice Lispector, publicadas no JORNAL DO BRASIL, de 1967 a 1973, nos permitem compreender melhor a escritura desta que se consagrou como uma das maiores escritoras do Brasil. Se nos contos e romances, o mistério de uma narrativa envolve o leitor num processo quase que iniciático, nas crônicas esse mistério vai aos poucos sendo desvendado, revelando o mundo pessoal e subjetivo da autora enigmática que viveu no Leme, próximo às areias e ao mar de Copacabana, que tanto apreciava.

Ao aceitar o convite do JB para escrever uma coluna aos sábados, Clarice Lispector sente a estranheza entre ser escritora e jornalista: NA LITERATURA DE LIVROS PERMANEÇO ANÔNIMA E DISCRETA. NESTA COLUNA, ESTOU DE ALGUM MODO ME DANDO A CONHECER, comenta na crônica de 21 de setembro de 1968.

Gênero leve, ameno, de leitura mais fácil, a crônica traz quase sempre a interpretação de um fato conhecido por todos, investido pela subjetividade de quem comenta o assunto, dando um sabor novo ao acontecido. Com a sua despretensão, a crônica quebra o monumental, o extraordinário, celebrando o cotidiano, o dia a dia e mostra belezas insuperáveis através da argúcia, da graça, do humor de quem a escreve. A informalidade investe de leveza uma linguagem cuja densidade busca revelar o segredo das coisas mais simples, o cotidiano transfigurado pelo olhar de Clarice, que redescobre nas Macabéias de todo dia a luminosidade de uma presença estelar. Entre flanelas e vassouras, mulheres simples e humildes se transformam em personagens que se eternizam. Aninha, Jandira, Ivone ou Aparecida são algumas dessas estrelas que saem de suas vidas apagadas para serem reveladas pelo olhar atento e sensível, onde escapa, por vezes, um leve e sorrateiro toque de humor, como no caso da empregada que fazia análise, ou da "mineira calada", que gostava de ler livros complicados.

A subjetividade impera nas crônicas de Clarice, onde o factual parece importar menos do que o seu exercício funcional e autobiográfico. Na coluna dos sábados, uma mulher se constrói, se questiona diante de si mesma, dos amigos e... descobre o mundo.


Sylvia Perlingeiro Paixão (Doutora em Literatura comparada, UFRJ)


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O PEQUENO PRÍNCIPE




ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY - foi escritor e ilustrador, além de piloto durante a Segunda Guerra Mundial. É autor de O PEQUENO PRÍNCIPE, um dos maiores clássicos da literatura infanto-juvenil, e escreveu livros de memórias e sobre a vida militar. Sua primeira obra foi O AVIADOR, lançada em 1926. Publicou ainda TERRA DOS HOMENS e CIDADELA.

Livro de criança? Com certeza.

Livro de adulto também, pois todo homem traz dentro de si o menino que foi. 

Como explicar a adoção deste livro por povos tão variados, em tantos países de todos os continentes? Como explicar que ele seja lido sempre por tantos milhões e milhões de pessoas? Como explicar a atualidade deste livro traduzido em oitenta línguas diferentes?

Como compreender que uma história aparentemente tão ingênua seja comovente para tantas pessoas?

O PEQUENO PRÍNCIPE devolve a cada um o mistério da infância. De repente retornam os sonhos. Reaparece a lembrança de questionamentos, desvelam-se incoerências acomodadas, quase já imperceptíveis na pressa do dia-a-dia. Voltam ao coração escondidas recordações. O reencontro, o homem-menino.


Amélia Lacombe


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