ALMa RaBiScAdA

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quinta-feira, 19 de julho de 2018

NÁUSEA CEREBRAL


Primeiro dá um nó na garganta
Depois vem uma lágrima que escorre
Lembranças indigestas se inflamam:
Impiedosas, nenhuma me socorre.

O cérebro, zoado, rodopia a mente
Que tenta fugir das lembranças
Que se riem intempestivamente
Da rabugem que é a destemperança.

A mente foge entre passos nauseados
E pisa nas carcaças de velhas dores
Deitadas no solo arenoso do passado:
Frágil cemitério de rusgas e dissabores.

Recupera-se o cérebro, aos trancos
Cambaleante, lança a mão à mente
Que segura a mão amiga, aos prantos:
Encharcada, volta a mente ao consciente.

Éd Brambilla. Poesia. NÁUSEA CEREBRAL. 17/07/2018.

MORTIFICAÇÃO

Tem dia que a vida cansa
Tudo ao redor se lança ao breu
Até mesmo a poesia desencanta
Assim como nada escapava à ira de Orfeu.

Eu, que protejo um vasto mundo,
Não consigo libertá-lo da dor
Têm abismos que são tão profundos,
Que no fundo é tudo lodo e desamor.


O mesmo sopro que anuncia a vida
Traz em si o abstrato da morte
O Homem tenta boicotar sua partida
Resignado, entrega-se à própria sorte.

No mármore solene da eternidade
Jazem ricos e pobres, doutores e iletrados
Muitos, imaculados de insanidade,
Não deixam suas marcas, apenas parcos legados.

Éd Brambilla. Poesia. MORTIFICAÇÃO. 24/06/2018.

Concepções: gótica-romântica-existencialista.

ALMA GENTIL

O teu sorriso largo
Na tua alma grande
Neutraliza o amargo
E o amor inflama.
Tua essência é chama
Que acende a alegria
Daqueles que tu amas:
Delicada troca de energias.
Carregas no semblante
A verdade e a magia,
Nem pouco nem bastante:
A medida certa da empatia.
A cada porto, menina, novas histórias!
Assim é que vais espalhando tua beleza
E semeando carinho em tantas memórias,
Que brindam N'almas tua gentil natureza.


Éd Brambilla. Poesia. ALMA GENTIL. 28/06/2018.

Para Alzira Sampaio, uma rara flor que enche de verdadeira cor e sutil perfume os jardins por onde passa.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

O RELÓGIO TEIMOSO


O relógio gira o ponteiro,
Mas o tempo parou.
Relógio sorrateiro.
As horas passam,
Fecham mais um ciclo.
Tempo que transbordou.
A vida é cíclica.
O tempo parou ou a vida secou?
O momento seguinte suplanta o momento anterior.
E o momento "agora" acontece.
Aproveito.
Mudo a cor do meu instante:
Aconteço; sou; transbordo.
E o "depois" vem mais vibrante.


Éd Brambilla. Poesia. O RELÓGIO TEIMOSO. 12/01/2018.

AH, BELMONTE!


E na pequena Biblioteca Municipal de Belmonte/BA, seduzido pela saudosa máquina de escrever, pedi autorização ao bibliotecário para compor um poema em homenagem à cidade. Meia hora depois, entreguei-o com solenidade. O poema ficará exposto numa vitrine, junto às obras de poetas belmontenses.

AH, BELMONTE!

Caminhei, sereno, pelas ruas de Belmonte.
As casas, todas elas congeladas no tempo.
A cidade, toda ela traçada de horizontes.
Eu, imbuído de História, entreguei-me ao momento.



Ah, Belmonte de belezas risonhas!
Banhada dum lado por um negro mar;
E doutro Bahia a beijar Minas no Jequitinhonha.
Testemunha desse encontro, restou-me contemplar.

Voltei a minha terra em estado de bonança.
Levei na mala a cor e o cheiro de Belmonte;
E na memória tantas belas lembranças,
Que para este poema serviram-me como fonte.


Não disse "Adeus!", apenas "Até mais, bela cidade!"
Se a mim cativastes, também eu deixei meu calor.
Tudo tornou-se uma delicada saudade.
Noutro tempo, quero eu renovar todo esse sabor.

BRAMBILLA, Éd. Poesia. "Ah, Belmonte!". 18.01.2018.



terça-feira, 12 de dezembro de 2017

PRUMIFORME

Gosto de ser Eu
Nem tanto à Luz
Nem tanto ao Breu
Quero bem a muita Gente
Umas pessoas são como Cruz
Outras, iminência dum Adeus
Para algumas sou Indiferente
Para outras, leve Alegria
Gosto das gentes d’alma Nua
Com quem posso trocar Sintonia
Fujo das gentes d’alma Crua
Sou do Todo um Pouco
Duns poucos, tenho Muito
Não alcanço ser “o Louco”
Nalguns momentos sou Intuito:
Um pé no chão, outro no coração
Noutros momentos sou todo impulso:
Cego de Consciência e mudo de Razão



Éd Brambilla. Poesia. PRUMIFORME. 12/12/2017.

sábado, 2 de dezembro de 2017

VERTIGEM

Ei, você, ouça, estou aqui!
Sincero, um pouco confuso
Nem misterioso nem profuso
Venho suave nas asas dum colibri.

Meu voo, tênue, corta o sol
Na pele, sinto a sua ardência
É leve como um ‘si bemol’
Quase uma nota de advertência.

O corpo, estranho, foge da mente
Assustado, busca uma compreensão
De que serve mergulhar na razão
Se o coração bate intermitente?

E rapidamente a razão vira mar
Fecho os olhos, a mente, o coração
Quanto mais sôfrego me ponho a nadar
O mar, capcioso, faz tudo virar canção.


Éd Brambilla. Poesia. VERTIGEM. 02/12/2017.



sábado, 14 de outubro de 2017

PRECE AO PROFESSOR (Paródia)

Professor nosso de todo dia,
Nobre é a tua vocação.
Bem-vinda seja a tua paciência,
Seja na escola pública ou privada.
O conhecimento que nos legai hoje
Será o nosso alicerce do amanhã.
Perdoai as nossas falhas
Porque aprendiz um dia fostes.
Não nos deixeis a escola abandonar,
Livrai-nos de muita ignorância,
Parabéns!


Éd Brambilla. Poesia (Paródia).PRECE AO PROFESSOR.2010.
Minha singela homenagem aos "profos" e "profas" do
mundo todo, em especial aos "brazucas".

sexta-feira, 2 de junho de 2017

LAMBE-LAMBE, BEIJO-BEIJO


Um lambeijo DELA
Vale por mil CORES,
Incontáveis AQUARELAS
E mais de mil SABORES.


Mil lambeijos DELA
São cem mil AMORES
Bailando sob UMBELAS
Donde caem mil RANCORES.


Lambeija-me todo ELA;
Beijolambo-a toda EU;
Ela é minha CURATELA;
E nela encontro o APOGEU.

É o teu lambeijo no meu BEIJO;
E o meu beijo no teu LAMBEIJO;
É tanto lambe-lambe no BEIJO-BEIJO,
Que tudo é um vai-e-vem no ACOLEIJO.

Éd Brambilla. Poesia. "Lambe-Lambe, Beijo-Beijo".02/06/2017.

UMBELA: [...] uma inflorescência em forma de guarda-chuva [...]
CURATELA: [...] de "curador (a)", que tem a tutela de outrem [...]
APOGEU: [...] o grau mais elevado [...]
ACOLEIJO: [...] o mesmo que balanço [...]

quarta-feira, 3 de maio de 2017

LILICA & EU

Minha Lilica e eu:
Um "lambeijo" dela
E um carinho meu.
Pequenina e bela,
Seu amor me mordeu.
Meu amor é ela...
E o amor dela sou eu.
Éd Brambilla. Pequenas Poesias. LILICA & EU. 31.05.2017.

O SOFRER E O PASSARINHO

Cansa o SOFRER,
Como cansa o passarinho
Em um longo voo.
Pousa o SOFRER,
Como pousa o passarinho
Depois de um longo enjoo.
É tanta náusea no AMAR,
Que o amante se cansa.
Mas da náusea do VOAR,
O passarinho apenas descansa.
Sábio é esse pequeno com asas,
Que, pousado, cantarola POESIA
E, sôfrego, com o coração em tic-tac,
Refaz-se todo em pura ALEGRIA.
E o amante, em seu pouso DESOLADO,
Esquece o seu SOFRER
E busca novamente a náusea do AMAR
Por puro desejo de ser AMADO.


Éd Brambilla. Poesia. O SOFRER E O PASSARINHO. 02/05/014.


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

ALUMIAR



A luz branca da lua
Deitada na negra pele tua
Te alumia a alma crua

A claridade da lua
No teu corpo se inflama
E te deixa a essência nua

Tua nua alma luminosa
Glorifica a tua essência
Com mil fagulhas gloriosas

E nos teus beijos alumiados
Fagulham mais de mil desejos
E ficamos ambos enluarados

Éd Brambilla. Poesia. ALUMIAR. 15/02/2017.



quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

ALMa FeLiNa

Tenho ALMa FeLiNa:
O olhar no horizonte;
Cabeça erguida;
Sempre mais longe;
A decisão comedida;
Espreito no escuro
As oportunidades que
A vida oferece;
Abraço o que posso
E o que me apetece;
E o que não quero
Ou o que não quis,
Não é ou não era pra mim.

Éd Brambilla. Poesia. Alma Felina. 30/11/2016.


quinta-feira, 22 de setembro de 2016

FLORESCER


                   No jardim da vida, eu me floresço
                         Em meio às flores que me encantam;
                              Em meio às flores murchas, adormeço
                                    E sonho com flores que me dignificam.

                  Éd Brambilla. Poesia. FLORESCER. 14/09/2016.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

EU "ME CAIO"




O céu tem estrelas
Onde cantam os querubins;
Meu coração tem belezas
Como as flores dos jardins.

Me invadem as lembranças,
Nos sonhos eu "me Caio";
Sereno, navego em bonanças;
De aleluia - contente - "eu Caio".



Éd Brambilla. Poesia. EU "ME CAIO". 06.07.2016.

sábado, 25 de junho de 2016

CORPO D'ALMA


Quando a Alma grita
E em desespero se destroça,
Também o Corpo grita –
Aniquilado – em resposta.
Vagueia o Corpo – ressequido –
Com sua Alma descomposta,
E vê, mudo, ressurgindo –
Sabe-se lá de onde –,
O fel doido e frio de outrora,
Que se lhe brotara pela fronte.
“Não para, Corpo!” – clama-lhe
A Alma; “Caminha mais longe
E sem descanso” – suplica-lhe,
Doida de horror e sem horizonte,
A negra alma em desamor.
O Corpo – trépido – não se aguenta
E, em suas reminiscências,

Tudo o que se lhe sustenta
São parcas lembranças – menos tristes –
Que lhe fugiram a sua dor e, agora,
Pesaroso, caminha o seu Amor.
“Sustenha-se, Corpo!” – grita-lhe a Alma;
“Leva-me daqui, sem demora!”, implora,
Ofegante, a Alma doida de horror.
“Não, Alma!” – responde-lhe em desafio
O Corpo ressequido que vagueia – triste –
No encalço de seu Amor.
“És tu, Alma insana, a fagulha
Que me sustenta! E se tu não
Me alimentas, que faço eu
Em teu favor?”
A Alma – ultrajada – grita.
O Corpo – maltratado – grita.
A Coragem – debilitada – grita.
O Amor – ressequido – se agita.
Alma, Corpo e Coragem se calam.
O Amor, cheio de uma vontade aflita,
Dos odores do fel da vida, corre.
Mortificado, sangrando, foge;
Desnorteado, cai, e, aos prantos, MORRE.


GÊNERO: Poema Poético
Concepções: Romântica / Gótica / Existencialista


Éd Brambilla. Poema Poético. CORPO D’ALMA. 19.06.2016.

MEU EU ESCORPIANO



Quando de mau-humor,
Sou drama "shakespeariano":
Cheio de cenas de horror,
Coisa de quem é escorpiano.


Sinto ódio de mim mesmo,
Uma vontade de sair de mim;
Meu coração vira torresmo,
Quebro pedra e até bandolim.

Se me vem muita euforia,
Fico besta de tanto humor;
Quase morro de alegria
E me esparramo de amor.

Ai, se me tiram do sério!
Fecho a cara e me rebento
Na escuridão e no mistério;
Só assim é que me aguento.

Mas quando encontro o centro,
Quero a vida e faço mil planos;
Saio todo do meu "de dentro"
E juro chegar aos mil e tantos anos.

Ah, como são os escorpianos:
Fortes, febris e ensandecidos;
Repletos de encorajamento.
São todos uns convencidos.

Éd Brambilla. POEMA. Meu eu escorpiano. 04/06/2016.

Aos escorpianos.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

FLOR-MULHER


Quando murcha uma linda flor,
Nasce outra ainda mais bela.
E na plenitude do vivo calor,
É tão linda que chega a ser singela.

E nas antíteses dos jardins da vida,
Proliferam flores de diversos matizes...
E dentre elas sempre há a mais querida,
Que enxerga a vida por ângulos mais felizes.



Na embriaguez de um verão, num terno quatro de fevereiro,
Uma flor de rara espécie se achegou mansinha para o mundo...
E não foi um broto qualquer, foi dos que se entregam por inteiro.
Porque somente flores raras nascem com coração mais fecundo.


 Cresceu o broto e transformou-se em mulher de rara beleza,
Aquecido por um objeto cujo nome é também salamandra.
Aprendeu ela com o mundo e o mundo aprendeu com sua nobreza.
É hoje a Flor-Mulher uma linda alma que recebeu o nome ALESSANDRA.


Poema-presente de aniversário para uma querida prima, Alessandra.


Éd Brambilla. POESIA.  “Flor-Mulher”. 04/02/2016.

domingo, 31 de janeiro de 2016

OS MARIMBONDOS MORIBUNDOS DE ZUMBI



Os marimbondos fizeram seus cachos no biombo
Que separava o território de Zumbi dos Palmares.
Cansados dos açoites da vara dos temidos capatazes,
Foram eles, moribundos, curar suas carcaças no Quilombo.

Os moribundos marimbondos, então, recuperaram a saúde.
Feridos em suas essências, juntaram-se à guerra de Zumbi,
Perseguido por Caetano de Melo e Castro, de forma amiúde.
Covarde, Melo recorreu a Domingos para a captura de Cazumbi.

Domingos, com seus seis mil homens armados até à gola,
Em 1694, não deu trégua e seguiu com sua pesada artilharia;
Capturou Antônio Soares, um traidor que se intitulava quilombola.
Soares, o falso guerreiro, entregou seu protetor por uma ninharia.

Domingos Jorge Velho deu fim a Zumbi numa fria emboscada.
Velhaco, o bandeirante dependurou a cabeça de Cazumbi num mastro,
Plantado numa praça do Recife, para servir de exemplo à gente escravizada.
Sem o HERÓI, em torno de 1710, o quilombo apagou de vez o seu rastro.


Éd Brambilla. Poesia Histórica.
“Os Marimbondos moribundos de Zumbi”.
31/01.2016.