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domingo, 5 de março de 2017

OS MARIMBONDOS MORIBUNDOS DE ZUMBI



OS MARIMBONDOS MORIBUNDOS DE ZUMBI

Os marimbondos fizeram seus cachos no BIOMBO
Que separava o território de ZUMBI DOS PALMARES.
Cansados dos açoites da vara dos temidos CAPATAZES,
Foram eles, moribundos, curar suas carcaças no QUILOMBO.
Os moribundos marimbondos, então, recuperaram a SAÚDE.
Feridos em suas essências, juntaram-se à guerra de ZUMBI,
Perseguido por Caetano de Melo e Castro, de forma AMIÚDE.
Covarde, Melo recorreu a Domingos para a captura de CAZUMBI.
Domingos, com seus seis mil homens armados até à GOLA,
Em 1694, não deu trégua e seguiu com sua pesada ARTILHARIA.
Capturou Antônio Soares, um traidor que se intitulava QUILOMBOLA.
Soares, o falso guerreiro, entregou seu protetor por uma NINHARIA.
Domingos Jorge Velho deu fim a Zumbi numa fria EMBOSCADA.
Velhaco, o bandeirante dependurou a cabeça de Cazumbi num MASTRO,
Plantado numa praça do Recife, para servir de exemplo à gente ESCRAVIZADA.
Sem o HERÓI, em torno de 1710, o quilombo apagou de vez o seu RASTRO.

Éd Brambilla. Poesia Histórica.
“Os Marimbondos moribundos de Zumbi”.
31/01/2016.

REGISTRADO NA BIBLIOTECA NACIONAL.

quarta-feira, 1 de março de 2017

CORPO D'ALMA




CORPO D'ALMA

Quando a Alma grita
E em desespero se destroça,
Também o Corpo grita –
Aniquilado – em resposta.
Vagueia o Corpo – ressequido –
Com sua Alma descomposta,
E vê, mudo, ressurgindo –
Sabe-se lá de onde –,
O fel doido e frio de outrora,
Que se lhe brotara pela fronte.
“Não para, Corpo!” – clama-lhe
A Alma; “Caminha mais longe
E sem descanso” – suplica-lhe,
Doida de horror e sem horizonte,
A pungente alma em desamor.
O Corpo – trépido – não se aguenta
E, em suas reminiscências,
Tudo o que se lhe sustenta
São parcas lembranças – menos tristes –
Que lhe fugiram a sua dor e, agora,
Pesaroso, caminha o seu Amor.
“Sustenha-se, Corpo!” – grita-lhe a Alma;
“Leva-me daqui, sem demora!”, implora,
Ofegante, a Alma doida de horror.
“Não, Alma!” – responde-lhe em desafio
O Corpo ressequido que vagueia – triste –
No encalço de seu Amor.
“És tu, Alma insana, a fagulha
Que me sustenta! E se tu não
Me alimentas, que faço eu
Em teu favor?”
A Alma – ultrajada – grita.
O Corpo – maltratado – grita.
A Coragem – debilitada – grita.
O Amor – ressequido – se agita.
Alma, Corpo e Coragem se calam.
O Amor, cheio de uma vontade aflita,
Dos odores do fel da vida, corre.
Mortificado, sangrando, foge;
Desnorteado, cai, e, aos prantos, MORRE.

GÊNERO: Poema Poético
Concepções: Romântica / Gótica / Existencialista

Éd Brambilla. Poema Poético. CORPO D’ALMA. 19.06.2016