ALMa RaBiScAdA

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

EU "ME CAIO"




O céu tem estrelas
Onde cantam os querubins;
Meu coração tem belezas
Como as flores dos jardins.

Me invadem as lembranças,
Nos sonhos eu "me Caio";
Sereno, navego em bonanças;
De aleluia - contente - "eu Caio".



Éd Brambilla. Poesia. EU "ME CAIO". 06.07.2016.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

O QUE TE FAZ FELIZ?

Muitos generalizam uma condição onde os humanos só conseguem ser realmente felizes se possuírem bens materiais e realizarem desejos que requer dinheiro. Tem muita gente espalhada pelo mundo afora que usufrui da verdadeira felicidade com o pouco que consegue conquistar - não por falta de garra para alcançar coisas maiores, mas devido a tantos porquês que o mundo impõe como barreiras. Algumas pessoas conseguem administrar bem suas condições de vida (sejam as que têm pouco ou as que têm muito), e outras, ao contrário, procuram argumentos para o que consideram uma frustração (o "não ter"), para amenizar a falta de sensibilidade para compreender a vida, que se explica sob uma ótica que inclui mundo exterior e mundo interior. Nem sempre o que se busca está do lado de fora. Um olhar mais sensível ao nosso mundo interior, muitas vezes, traz revelações que fazem a vida dar um giro (positivo) certeiro no que realmente nos faz felizes. E quando tanta gente não consegue, mesmo com muito esforço, enxergar o que precisa para ser feliz, projeta no outro, inclusive nos animais (que são genuinamente felizes porque não necessitam "ter", mas apenas "viver" das ofertas da natureza), a sua frustração, e, de uma maneira pseudo-positiva, reverencia a felicidade que vislumbra no outro, quando, na verdade, o sentimento é de cobiça. Neste ponto, sim, concordo que os animais são verdadeiramente mais elevados que nós, seres humanos. Eu sei disso porque aprendo há quase nove anos com a Lilica, a minha "york".

Éd Brambilla. Crônica. O QUE TE FAZ FELIZ? . 03/07/2016.

sábado, 25 de junho de 2016

CORPO D'ALMA


Quando a Alma grita
E em desespero se destroça,
Também o Corpo grita –
Aniquilado – em resposta.
Vagueia o Corpo – ressequido –
Com sua Alma descomposta,
E vê, mudo, ressurgindo –
Sabe-se lá de onde –,
O fel doido e frio de outrora,
Que se lhe brotara pela fronte.
“Não para, Corpo!” – clama-lhe
A Alma; “Caminha mais longe
E sem descanso” – suplica-lhe,
Doida de horror e sem horizonte,
A negra alma em desamor.
O Corpo – trépido – não se aguenta
E, em suas reminiscências,
Tudo o que se lhe sustenta
São parcas lembranças – menos tristes –
Que lhe fugiram a sua dor e, agora,
Pesaroso, caminha o seu Amor.
“Sustenha-se, Corpo!” – grita-lhe a Alma;
“Leva-me daqui, sem demora!”, implora,
Ofegante, a Alma doida de horror.
“Não, Alma!” – responde-lhe em desafio
O Corpo ressequido que vagueia – triste –
No encalço de seu Amor.
“És tu, Alma insana, a fagulha
Que me sustenta! E se tu não
Me alimentas, que faço eu
Em teu favor?”
A Alma – ultrajada – grita.
O Corpo – maltratado – grita.
A Coragem – debilitada – grita.
O Amor – ressequido – se agita.
Alma, Corpo e Coragem se calam.
O Amor, cheio de uma vontade aflita,
Dos odores do fel da vida, corre.
Mortificado, sangrando, foge;
Desnorteado, cai, e, aos prantos, MORRE.


GÊNERO: Poema Poético
Concepções: Romântica / Gótica / Existencialista


Éd Brambilla. Poema Poético. CORPO D’ALMA. 19.06.2016.

MEU EU ESCORPIANO



Quando de mau-humor,
Sou drama "shakespeariano":
Cheio de cenas de horror,
Coisa de quem é escorpiano.


Sinto ódio de mim mesmo,
Uma vontade de sair de mim;
Meu coração vira torresmo,
Quebro pedra e até bandolim.

Se me vem muita euforia,
Fico besta de tanto humor;
Quase morro de alegria
E me esparramo de amor.

Ai, se me tiram do sério!
Fecho a cara e me rebento
Na escuridão e no mistério;
Só assim é que me aguento.

Mas quando encontro o centro,
Quero a vida e faço mil planos;
Saio todo do meu "de dentro"
E juro chegar aos mil e tantos anos.

Ah, como são os escorpianos:
Fortes, febris e ensandecidos;
Repletos de encorajamento.
São todos uns convencidos.

Éd Brambilla. POEMA. Meu eu escorpiano. 04/06/2016.

Aos escorpianos.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

MINHA PARADOXAL MÃE

Dona Mercedes, a minha essência de eterna criança que se encanta por tudo o que resplandece vida só foi possível porque nasci do teu ventre abençoado. É graças a tua alma a chama do sopro da vida que habita em mim; um pedacinho de você que carrego com orgulho e aleluia no coração. Eu sempre me emociono com suas pequenas e, ao mesmo tempo, imensas atitudes (minha paradoxal mãe). É de você que herdei o que de melhor existe em minh'alma: a capacidade de ver magia onde quase ninguém percebe; a inspiração para criar histórias (Ah, mãe, se você fosse alfabetizada! Seria uma "Cecília Meireles"!) vem da tua capacidade e imensa criatividade de contar "causos"; o meu jeito de olhar o mundo com lentes coloridas é um reflexo das tuas lentes ainda maiores e com cores ainda mais resplandecentes; a minha avidez por conhecimento vem da tua força de mulher que "conhece" sem nunca ter lido um livro sequer (minha paradoxal mãe). O meu amor por você é insondável e imensurável (segredos de amor entre duas forças “almáticas”). Quanto mais estudo, mãe, mais descubro o quanto sou pequeno perto de ti (e é exatamente esta descoberta diária que aumenta ainda mais o meu amor, a minha admiração e o meu respeito por você). Ainda vou estudar muito, Dona Mercedes, para que você aumente ainda mais de tamanho (minha paradoxal mãe). Para finalizar este texto que não admite um "FIM" (minha paradoxal mãe), apenas posso reafirmar o orgulho e privilégio de poder olhar no teus olhar de ingênua bondade com tudo e todos e dizer "MINHA MÃE!".
Amo você, Dona Mercedes!
Seu "um" entre os seus "dez" filhos.

Éd Brambilla. Carta. MINHA PARADOXAL MÃE. 10/04/2016.

sexta-feira, 18 de março de 2016

HAICAI - Borboleta



A lepidóptera:
Uma doce ingenuidade.
A borboletinha.


Éd Brambilla. HAICAI - Borboleta. 18.03.2016.

quarta-feira, 9 de março de 2016

HAICAI - Mulher


São tantas em uma –
Insondáveis criaturas.
MULHER: paradoxo.


Éd Brambilla. Haicai – Mulher. 08/03/2016.

terça-feira, 8 de março de 2016

HAICAI - Sol


Amanhece o dia,
O Sol bate nas janelas:
Ilumina a VIDA.

Éd Brambilla. Haicai (Sol). 07/03/2016.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

HAICAI - Despedida


Cerram-se os olhos para a Terra,
Voa a alma até o infinito:
O início de uma nova era.


Éd Brambilla. HAICAI – Despedida. 29/02/2016.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Haicai – Chuva


Quando a chuva cai,
Molha a natureza, sim!
Lindo fica o céu.


Éd Brambilla. HAICAI - Chuva. 28.02.2016.

HAICAI – Lua


A lua morna,
Na calada da noite,
Deita e dorme.

Éd Brambilla. Haicai – Lua. 28/02/2016.

HAICAI (Caracol)



O andar do caracol,
No sereno da manhã,
É leve como o primeiro sol.


Éd Brambilla. HAICAI (Caracol). 28.02.2016.


sábado, 27 de fevereiro de 2016

HAICAI - Cachoeira


Os pingos da cachoeira
Batem nas pedras lisas
E iluminam as clareiras.

Éd Brambilla. HAICAI. 27/02/2016.


Haicai é um poema de origem japonesa que chegou ao Brasil no início do século XX e hoje conta com muitos praticantes e estudiosos brasileiros. No Japão e na maioria dos países do mundo é conhecido como haiku.

Sobre Política...


O CARACOL

Depois de mais uma noite de aulas, chegando da faculdade, deparei-me com um caracol na entrada do "hall" do meu prédio.
Fiz um trocadilho com ele, cantarolando:
-Debaixo dos caracóis dos teus cabelos...
Na sequência, me pus a rir e disse - com zombaria - olhando bem para os seus olhinhos "caracolados":


-Caracol não têm cabelos!

Fotografei o bichinho e me despedi:

-Tchau, Sr. Caracol! Espero que encontre uma linda Sra. "Caracola" na calada da noite.


PS* Tinha uma "caracoata" de caracóis; um atrás do outro. Mas esse me chamou a atenção por ser muito grande.


Éd Brambilla. Crônica. O CARACOL. 25/02/2016.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

HAICAI - Margarida







Querida, margarida!
De tão terna e singela,
Torna-se exibida.

Éd Brambilla, HAICAI. 26.02.2016.


Haicai é um poema de origem japonesa que chegou ao Brasil no início do século XX e hoje conta com muitos praticantes e estudiosos brasileiros. No Japão e na maioria dos países do mundo é conhecido como haiku.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

O INFERNO É MAIS NO FUNDO

“Existe um inferno na Terra. Muitos vão parar lá por diversos motivos. E quando essas pessoas saem desse lugar, levam na alma uma espécie de "MARCA SOCIAL REGISTRADA"São homens e mulheres que adquirem um mesmo rosto, uma mesma história, um mesmo significado e um mesmo nome.

Qualquer nome!

No SISTEMA CARCERÁRIO, o INFERNO É MAIS NO FUNDO!
 

Entrevista (fictícia) com um ex-presidiário, numa mesinha de boteco (homem com bom vocabulário; apenas as respostas do entrevistado foram transcritas no texto; entrevistador “off”; homem bebendo e fumando o tempo todo):

            -Por que eu fui parar no inferno?!
         (breve silêncio)
         -Eu tinha três bocas pra sustentar... E nem incluo a minha na conta... Você sabe o que é isso, seu moço? Você têm mulher e filhos?
         (breve pausa para um trago no cigarro)
         -Você até pode dizer coisas do tipo “trabalho honesto”, “pedir ajuda na Assistência Social” ou “recorrer aos Amigos”... Eu tentei, seu moço!... Juro que tentei... Mas eu não tive tempo pra “blá blá blá”... Eram três bocas reclamando...
         (mais um trago no cigarro)
         -Entrei no primeiro supermercado que vi... Peguei o que precisava... Não vou mentir pro senhor, que não sou dessa laia de mentirosos que existe em todo lugar... No meio do que “de comer” tinha uma garrafa de uísque, também, porque um homem, às vezes, precisa de um consolo mais requintado...
         (mais um trago no cigarro)
         -A “piranhazinha” lá do caixa me sacaneou... Mandei ela ficar “pianinha” enquanto eu mostrava um 38 de brinquedo pra ela... A “piranha” acionou um alarme embaixo do caixa... Duas horas depois eu já estava todo ferrado...
         (mais um trago no cigarro, com olhos lacrimejando)
         -Lá no inferno que me enfiaram mal tinha lugar pra quatro... Contei mais de vinte na cela... Passei uma semana dormindo agachado debaixo de uma goteira... Só depois é que resolveram meu caso... E foi à revelia... Me enfiaram pela segunda vez no “chiqueirinho” do camburão... E dessa vez demorou bem mais que a primeira vez pra eu chegar num inferno ainda maior, seu moço...
         (breve silêncio)
         -Onde eu fiquei uma semana era só o purgatório... O inferno é mais no fundo...
         (soco na mesinha do bar)
         -Lá, rapaz... Você tem conhecimento que eu sei... Lá, você não sobreviveria... Tive de aprender a dissimular... Ninguém é culpado de nada no inferno maior... A culpa é sempre dos de fora... Toda gente presa, no fundo, é tudo vítima dessa merda de sistema... Tudo começa lá na molecagem... Entende? Não vou ficar falando do percurso porque você entende dessas coisas melhor do que eu...
         (trago no cigarro)
-Só deixei de ser “soldadinho do governo” depois de seis meses comendo pão com banana... E só saí porque tive alguém por mim aqui fora... Mas não pensa você que tem sido fácil, não... Carrego uma tatuagem estampada... E não é na cara não, rapaz... É na minha “ficha”... Faz tempo que vivo de “bicos”... Não me dão emprego fixo... E tudo são desculpas... Mas eu sei que “puxam” minha “ficha”...
         (trago no cigarro)
         -Mas a gente tem de viver, não é mesmo? Então eu vivo do que me oferecem... Não acho isso vergonha...
         (breve silêncio)
         -Vergonha eu sinto quando olho pra minha mãe, que me criou sozinha... Pra minha avó, que fez o que pôde por mim... Do meu casamento nem falo, esse foi pro “brejo”... Mas hoje eu ensino meus filhos através do amor... Através da dor já basta a que eu carreguei e vou carregar pra sempre...
         (breve silêncio)
         -É isso aí, seu moço! Não tenho mais nada pra contar... Tenho um “bico” pra fazer ainda hoje...
         (o homem levanta-se da cadeira, toma o último gole de cerveja e se despede do entrevistador):
         -Fica na fé, irmão... Depois me fala se a minha história te serviu pra alguma coisa...
         (homem vira as costas e vai embora)


ENTREVISTA ENCERRADA


Expressão “soldadinho do governo”: o homem refere-se ao fato de ter usado um uniforme amarelo durante os seis meses no presídio.

O entrevistado (fictício) pediu para não ter seu nome citado. Apenas a história, que, nas palavras dele: “É igual a de milhares por esse mundo afora, seu moço...”



Éd Brambilla. O INFERNO É MAIS NO FUNDO. Entrevista, 02/12/2015.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

FLOR-MULHER


Quando murcha uma linda flor,
Nasce outra ainda mais bela.
E na plenitude do vivo calor,
É tão linda que chega a ser singela.

E nas antíteses dos jardins da vida,
Proliferam flores de diversos matizes...
E dentre elas sempre há a mais querida,
Que enxerga a vida por ângulos mais felizes.



Na embriaguez de um verão, num terno quatro de fevereiro,
Uma flor de rara espécie se achegou mansinha para o mundo...
E não foi um broto qualquer, foi dos que se entregam por inteiro.
Porque somente flores raras nascem com coração mais fecundo.


 Cresceu o broto e transformou-se em mulher de rara beleza,
Aquecido por um objeto cujo nome é também salamandra.
Aprendeu ela com o mundo e o mundo aprendeu com sua nobreza.
É hoje a Flor-Mulher uma linda alma que recebeu o nome ALESSANDRA.


Poema-presente de aniversário para uma querida prima, Alessandra.


Éd Brambilla. POESIA.  “Flor-Mulher”. 04/02/2016.

domingo, 31 de janeiro de 2016

OS MARIMBONDOS MORIBUNDOS DE ZUMBI



Os marimbondos fizeram seus cachos no biombo
Que separa o território de Zumbi dos Palmares.
Cansados dos açoites da vara dos temidos capatazes,
Foram eles, moribundos, curar suas carcaças no Quilombo.

Os moribundos marimbondos, então, recuperaram a saúde.
Feridos em suas essências, juntaram-se à guerra de Zumbi,
Perseguido por Caetano de Melo e Castro, de forma amiúde.
Covarde, Melo recorreu a Domingos para a captura de Cazumbi.

Domingos, com seus seis mil homens armados até à gola,
Em 1694, não deu trégua e seguiu com sua pesada artilharia;
Capturou Antônio Soares, um traidor que se intitulava quilombola.
Soares, o falso guerreiro, entregou seu protetor por uma ninharia.

Domingos Jorge Velho deu fim a Zumbi numa fria emboscada.
Velhaco, o bandeirante dependurou a cabeça de Cazumbi num mastro,
Plantado numa praça do Recife, para servir de exemplo à gente escravizada.
Sem o HERÓI, em torno de 1710, o quilombo apagou de vez o seu rastro.


Éd Brambilla. Poesia Histórica.
“Os Marimbondos moribundos de Zumbi”.
31/01.2016.

A "EXIBIDINHA"

Foi quando olhei através da janela da sala, cuja vista dá para um prédio abandonado, sem vida, esquecido pelo bicho-homem, como tantas ruínas existentes que guardam uma promessa e uma esperança; baixei a cabeça e olhei para o espaço que separa, talvez por uns cinco metros de largura, o meu prédio, que pulsa a vida com todas as suas veias e artérias (umas saudáveis e outras nem tanto), do prédio "prometido", e vi, solitária, em meio ao espaço seco e improvável para a gênese, uma pequenina flor, cuja espécie eu desconheço (lembra uma margarida em miniatura).
A pequena guerreira estava rente à parede do meu lar, voltada para a minha janela e com as pétalas eriçadas para o alto, bem na minha direção. Lembrei-me da rosa manhosa do Pequeno Príncipe, de Saint-Exupéry. "Uma flor para mim" - pensei. É a vida provando que o impossível é apenas uma questão de obstinação e uma real vontade de querer "ser". Desci as escadas de acesso ao meu apartamento, ainda meio zonzo com a readaptação diária à vida toda vez que acordo do mundo dos sonhos, que, para mim, se fazem belos todas as noites e me levam aonde a mente pode alcançar, e, de cócoras, busquei pacientemente um ângulo perfeito para eternizar o meu raro presente.
Ofereço a minha rosinha, que batizei com o nome de Exibidinha, para todos os meus amigos, sejam eles reais ou virtuais, porque a amizade é um estado de fé que independe da matéria física.

Vida longa a todos, AMIGOS!

Éd Brambilla. CRÔNICA. “A Exibidinha”. 31/01/2016. 7:39 a.m.

sábado, 30 de janeiro de 2016

DEIXEM OS MARIMBONDOS EM PAZ!

Foi assim: tive de parar o que eu estava fazendo para entrar numa briga de ordem ambiental.
Eita, Diabos!
Do lado de baixo do meu prédio, tem outro prédio – ainda em construção: sem janelas; portas; reboco; etc.. Moro no primeiro andar e os cômodos do apartamento que ficam de frente ao meu apartamento foram habitados por diversos cachos de marimbondos, que não atrapalham a vida de ninguém. As minhas janelas – principalmente a da sala – ficam sempre abertas. Os marimbondos entram, dão um rolê pela sala e depois voltam para as suas casas. Basta não se meter com eles e tudo fica em perfeita sintonia. Acontece que a vizinha do andar térreo, que mora ao lado do apartamento que fica embaixo do meu – que reclama até de respirar –, infernizou a síndica por conta dos bichinhos.
Resultado: de repente uma fumaceira danada começou a entrar na minha sala ao mesmo tempo em que eu escutava barulho de pancadas (nos marimbondos) vindas de um dos apartamentos desabitados – a não ser pelos marimbondos. Corri até à janela da minha sala. Dois rapazes movimentavam-se desesperadamente portando tochas de fogo e pedaços de pau. E era justamente no apartamento cuja sala fica na mira da minha. PRONTO! Um furdúncio estava formado!
Ao avistar-me, um dos rapazes, todo esbaforido, gritou:
-Moço, fecha as suas janelas!
-Não fecho nada! Por que vocês estão despejando os marimbondos? – inquiri.
-Ordem da síndica! A vizinha de baixo reclamou deles – respondeu o Serial Killer de marimbondos.
-E o que foi que os marimbondos fizeram para ela? – quis saber.
Nisso, entrou a vizinha na conversa (olhando de baixo para cima em direção a minha janela):
-Um deles entrou no meu apartamento e me picou!
-Picou?! Por quê?!
-Porque eu bati nele com uma vassoura.
-Ele só se defendeu, ora! Se o tivesse ignorado, ele teria ido embora tranquilamente, como faz aqui em minha casa.
-Pois então pega todos os marimbondos e leva para a sua casa! – replicou a inimiga da natureza.
-Por que não muda você do apartamento? – trepliquei.
-Vai cuidar da sua vida! – respondeu a mal educada.
-É o que estou fazendo, dona! Os marimbondos fazem parte da minha vida e não posso admitir essa matança sem propósito!
Ela, a vizinha, fitando os assassinos de marimbondos e meneando a cabeça negativamente, disse:
-Vou te contar, viu! É cada doido que me aparece!
E antes que eu pudesse responder, ela bateu a janela com toda a força e se enfiou no mundinho dela (sem marimbondos, sem borboletas, sem morceguinhos - porque sempre vem um morceguinho lá do prédio me visitar -, enfim, sem natureza) e deve ter ido fazer as "coisinhas" dela em seu mundinho "engessado".
O que aconteceu em seguida?
Um enxame de marimbondos se pôs a sobrevoar por todos os lados dos dois prédios. Uma gritaria danada formou-se por conta de outros moradores que, curiosos, meteram as suas caras nas janelas de suas salas.
Eu, tranquilamente, me pus a escrever esta crônica enquanto vários marimbondos sobrevoavam desesperados rente ao teto da minha sala. Nunca fui picado por nenhum deles. Nem desta vez.
Um pouco antes do desastre ecológico, ainda tentei negociar com um dos assassinos:
-Moço, o correto é você remover os cachos e levá-los para a mata (referindo-me a uma pequena mata ao lado do prédio abandonado).
No entanto, destruir e matar dá menos trabalho.
Não pude salvar os marimbondos, mas desejei que vários deles (os sobrevivente) conseguissem entrar por alguma fresta de uma das janelas do apartamento da vizinha e picassem muito a "periquita" dela enquanto ela estivesse dormindo.
Azar o dela!
Espero que os marimbondos não morram envenenados com o fel da mulher.


Éd Brambilla. CRÔNICA. Deixem os marimbondos em paz! 20.01.2016.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

A METAMORFOSE DE UMA MULHER


Num vibrante e mágico auge de um verão,
Estreou confiante no mundo uma linda menina.
A vida rabiscou para si uma linda canção,
Cuja letra é uma prece a celebrar a quem ensina.

A menina cresceu e foi em busca de seus ideais.
Trilhou caminhos apesar de todos os seus medos.
Criou para si os seus próprios e essenciais enredos.
Autêntica, caminhou, obstinada, rumo aos mananciais.

Tornou-se grande mulher a menina do mágico verão.
Lapidou com esmero a canção que a vida lhe deu.
Inundou de conhecimento, corpo, alma e coração,
Todas as oportunidades que o mundo lhe concedeu.

Amadureceu a mulher, imbuída de contentamento.
Já trás consigo um lindo fruto de seu abençoado casulo:
Sophia, agora, é o seu mais sublime ensinamento.
A certeza de sua mais pura e edificante fé no futuro






Para Vanete, o meu primeiro incentivo rumo ao mundo das LETRAS.



Éd Brambilla. POESIA. A METAMORFOSE DE UMA MULHER. 21.01.2016.

'IRONIA CONTEMPORÂNEA'














O mundo contemporâneo é uma grande ironia
Os humanos, em sua maioria, correm atrás da perfeição
Insanos, não percebem que se distanciam da real sintonia
E cada busca, quase sempre, vem desenhada pela decepção

A beleza-padrão, o "status quo", tudo isso é uma grande ilusão
A felicidade-sexo-amor, os contados de fato, tornaram-se metafísicos
Enredado por ideais sem nexo, o "ser" experimenta a amarga frustração
‘Pseudo-feliz’, o "sub-ser", aniquilado, ostenta uma vida e um estado tísicos

Em tempos de "comodificação", a simplicidade tornou-se filosofia de vida
Corre o indivíduo (perspicaz) atrás da tal felicidade como “tábua de salvação
O "ser" engajado nesta resolução descobre (?) o antídoto para a sua ferida
Mas, desestruturado, o "bicho-homem" erra e vai de encontro à destruição

Equivocadas, pessoas buscam o sentido de "ser" do lado de fora
Nadam contra a própria natureza, oprimidas, ainda mais longe de si
Deparam-se cada vez mais com incertezas e perguntam-se "e agora?"
Mortificam-se e esquecem da busca interior, onde reside o real "em si"


Concepção: Filosofia Existencialista.


ÉD BRAMBILLA. POESIA. 'IRONIA CONTEMPORÂNEA'. 27/01/2016.